O comércio global encerrou 2025 em um patamar recorde, ultrapassando pela primeira vez os US$ 35 trilhões, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, a UNCTAD. No início deste ano, a própria entidade já projetava um 2026 de crescimento mais lento, marcado por maior fragmentação e reorganização das cadeias de valor, um cenário que vem se confirmando ao longo dos últimos meses.

Essa reorganização tem nome: friendshoring e nearshoring são as estratégias que mais ganham força entre empresas que buscam reduzir a dependência de fornecedores distantes ou geopoliticamente instáveis. O movimento não é passageiro, é uma resposta estrutural a anos de interrupções logísticas, tensões comerciais e choques na cadeia de suprimentos.

Por isso, no post de hoje, vamos explicar o que significam esses dois conceitos, por que eles avançam em 2026 e o que essa mudança representa para o planejamento logístico de quem importa e exporta.

O que são friendshoring e nearshoring

Nearshoring é a estratégia de deslocar a produção ou o fornecimento para países geograficamente mais próximos do mercado consumidor final. O objetivo é reduzir distância, encurtar prazos de trânsito e ganhar agilidade na resposta a variações de demanda.

Já o Friendshoring segue uma lógica diferente. Em vez de priorizar a proximidade geográfica, a estratégia busca transferir operações para países considerados politicamente alinhados e comercialmente estáveis, reduzindo a exposição a sanções, tarifas e instabilidades diplomáticas. 

Segundo o relatório Geopolitics and the Geometry of Global Trade, do McKinsey Global Institute, os países vêm se inclinando para parceiros comerciais que são, ao mesmo tempo, geograficamente próximos e geopoliticamente alinhados, o que mostra por que as duas estratégias costumam avançar juntas, mesmo respondendo a critérios distintos.

Por que essas estratégias ganharam força em 2026

O movimento de reorganização das cadeias globais não surgiu de forma isolada. Ele é resultado de uma sequência de choques que expuseram a fragilidade de cadeias longas e concentradas em poucos fornecedores: a pandemia, tensões comerciais entre grandes potências e conflitos regionais que afetaram rotas marítimas estratégicas.

Segundo o DHL Global Connectedness Report, divulgado em maio deste ano, o grau de globalização mundial permaneceu estável em 25%, repetindo o recorde histórico registrado em 2022. Isso mostra que o comércio internacional segue crescendo, mas com fluxos cada vez mais redistribuídos entre regiões, em vez de concentrados em rotas únicas de longa distância.

Um exemplo concreto está no relacionamento entre Estados Unidos e México: nos últimos anos, o México superou a China como principal origem das importações norte-americanas, puxado por empresas que buscam encurtar cadeias e se beneficiar de acordos comerciais regionais. Movimentos semelhantes já ganham tração na América do Sul, com o Brasil se posicionando como hub regional de manufatura e distribuição.

O que isso muda no planejamento logístico

A reorganização das cadeias globais não elimina a complexidade da operação, ela apenas desloca onde essa complexidade está concentrada. Para quem revisa sua base de fornecedores, alguns pontos passam a exigir atenção redobrada:

  • Rotas mais curtas tendem a reduzir o tempo de trânsito e a exposição a corredores marítimos estratégicos, cada vez mais sensíveis a conflitos regionais;
  • A diversificação de fornecedores exige mais planejamento, já que a empresa passa a lidar com múltiplos parceiros, diferentes exigências regulatórias e novos arranjos de transporte;
  • A escolha entre LCL e FCL precisa ser revisada a cada novo fornecedor;
  • Cadeias mais resilientes tendem a ser mais caras do que cadeias otimizadas apenas para custo mínimo, e esse prêmio de preço precisa ser avaliado frente ao ganho em previsibilidade.

O planejamento multimodal se torna, nesse cenário, ainda mais relevante. Combinar diferentes modais de acordo com a rota, o volume e o prazo de cada operação é o que permite capturar os ganhos de proximidade sem perder eficiência de custo.

i9 Shipping: suporte estratégico para operações em transformação

Acompanhar a reorganização das cadeias globais exige mais do que reagir a mudanças pontuais: exige um parceiro logístico que entenda o contexto geopolítico e traduza isso em decisões operacionais concretas. Contar com uma empresa especializada em transporte marítimo, aéreo e rodoviário faz toda a diferença para quem está revisando sua base de fornecedores.

A i9 Shipping atua há 7 anos como parceira estratégica de empresas que precisam de operações logísticas eficientes, seguras e integradas. Nossa equipe acompanha de perto as mudanças no cenário do comércio exterior, ajudando cada cliente a adaptar sua operação a novos fornecedores, novas rotas e novos arranjos logísticos sem perder previsibilidade.

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